segunda-feira, 27 de junho de 2016

Gastos do Governo - Abril/2016


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Este post está um pouco atrasado mas ainda há tempo. Conforme falado no último artigo desta série (relembre aqui), iremos acompanhar mês a mês as receitas e os gastos do governo. O objetivo é termos uma noção exata de como o desaquecimento da economia está impactando negativamente a arrecadação e de como os esforços fiscais estão otimizando (ou não) os gastos do estado. Este acompanhamento será um importante termômetro para uma possível melhora do cenário econômico doméstico.

Depois de dois meses consecutivos de déficit, as contas do governo central (que reúne Banco Central, Tesouro Nacional e Previdência) fecharam no campo positivo no mês de abril. O resultado primário foi um superávit de R$ 9,7 bilhões, ou seja, sobrou dinheiro para pagar os juros da dívida pública. Esse desempenho, no entanto, não descarta a possibilidade de as contas públicas terminarem o ano com um déficit de R$ 170 bilhões, como projeta a equipe econômica.

A arrecadação de impostos e contribuições pelo governo federal somou R$ 110,89 bilhões em abril, uma queda real de 7,1% frente ao mesmo mês de 2015. Foi o pior mês de abril desde 2010. No acumulado dos quatro primeiros meses deste ano, a arrecadação totalizou R$ 423,9 bilhões. Comparado ao mesmo período do ano passado, houve queda real de 7,91%. O resultado também é o pior para este período desde 2010.

A fraco desempenho da arrecadação se deve à recessão da economia brasileira, a maior da história. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 3,8% e a previsão de analistas é de uma retração semelhante neste ano. Com a economia fraca, cresce o desemprego e a inadimplência e recuam as vendas de produtos e serviços, o que leva à redução no pagamento de impostos.

Em abril deste ano, o Governo Central registrou superávit primário de R$ 8,714 bilhões. Os governos estaduais registraram superávit primário de R$ 1,753 bilhão, e os municipais, déficit de R$ 154 milhões. As empresas estatais federais, estaduais e municipais, excluídas empresas dos grupos Petrobras e Eletrobras, registraram déficit primário de R$ 131 milhões, no mês passado.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, abril costuma ser um mês favorável, com maior recolhimento de tributos como o Imposto de Renda. Apesar disso, em abril de 2015, o superávit primário de todo o setor público foi maior: R$ 13,445 bilhões. Maciel destacou que a queda da atividade econômico tem levado à redução de receitas recolhidas pelo governo. Seguem os gráficos que eu preparei a partir dos dados recolhidos nas planilhas do Tesouro.




Fonte 1
Fonte 2
Fonte 3

11 comentários:

  1. Fala Uó! Os gráficos mostram com clareza como as despesas estão vinculadas as receitas quando estas crescem e como as despesas se desvinculam completamente quando as receitas caem... Infelizmente o grande vilão é a taxa de juros... Um país que ocupa 90% do orçamento para pagar juros, previdência e funcionalismo público e que investe menos de 10% em infra-estrutura, saúde, educação e segurança não tem como prosperar...

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    1. Não sei se é pedir demais, mas se vc encontrar uma maneira fácil de demonstrar a composição macro dos gastos da união, seria bastante instrutivo para todos nós!!!

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    2. Obrigado pela contribuição I.R.
      No post do mês que vem vou tentar dar esta visão macro dos gastos.
      Abraço!

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  2. Excelente os gráficos. Deu pra ver certinho o ponto de virada.

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  3. Que ideia sensacional. Obrigado pelo conteúdo, seu blog é muito diferenciado.

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